skip to Main Content

É verdade que os pacientes oncológicos estão incluídos no grupo de risco?

Sim, de acordo com um estudo publicado no British Medical Journal, indivíduos com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e asma são os mais propensos a terem complicações ao contrair a COVID-19. Também entram neste grupo de risco pessoas com:

  • Mais de 60 anos de idade
  • Problemas cardíacos
  • Problemas hematológicos, como a talassemia
  • Doenças renais
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  • Imunossupressão, como no caso dos pacientes em tratamento oncológico ou que passaram pelo transplante de medula óssea

Um dado importante é que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), dentre os cânceres, linfomas, leucemias e mieloma múltiplo são considerados os de maior risco para a COVID-19.

Lembrando que nem todos os pacientes que têm um câncer estão imunossuprimidos, mas ainda assim continua sendo fundamental tomar todos os cuidados para evitar a infecção.

Se é para ficar em casa, como fica o meu tratamento?

Em meio à pandemia mundial, por conta da COVID-19, autoridades de saúde têm pedido aos brasileiros que, se possível, fiquem em casa. Evitar aglomerações e contato físico é uma das maneiras mais eficientes para evitar a doença.

Mas se você é paciente de câncer, deve estar em dúvida sobre como proceder em relação a seu tratamento.

Atualmente, os hospitais têm recebido muitas pessoas com suspeita e até mesmo confirmação da COVID-19. Embora seja um lugar que receba cuidados especiais de higiene e esterilização, os riscos de contaminação podem existir. E é justamente para proteger os pacientes que alguns tratamentos e exames estão sendo adiados.

Isso quer dizer que todos os pacientes devem parar o seu tratamento? A resposta é NÃO!

De acordo com o Dr. Nelson Hamerschlak, onco-hematologista do Comitê Médico da Abrale, somente estão sendo canceladas as terapias que podem esperar. E essa é uma decisão, avaliada pelo especialista, caso a caso. O acompanhamento destes pacientes deve continuar, inclusive! Com as ferramentas tecnológicas hoje disponíveis, como a telemedicina, é possível que as consultas sejam feitas online, por meio de celulares e computador, por exemplo.

E os tratamentos que não podem parar?

Agora, para aqueles pacientes que não podem ter o seu tratamento adiado, seja pelo tipo, agressividade do câncer ou outras comorbidades relacionadas à doença, as consultas presenciais continuam acontecendo.

Para estes casos, alguns cuidados especiais serão necessários. Veja a lista preparada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC):

  • Use máscaras apropriadas, que cubram toda a região da boca e nariz. E não esqueça de trocá-las a cada 3 horas.
  • No hospital, evite contato físico direto, mesmo com o seu médico e a equipe de saúde. E, claro, tome a mesma atitude com todas as pessoas que estiverem circulando pelo ambiente hospitalar.
  • Evite ambientes fechados e com aglomerações. Por isso, permaneça somente o tempo necessário em ambiente hospitalar.
  • Pacientes que vão a um centro de tratamento oncológico devem ir acompanhados de apenas uma pessoa, e este acompanhante não pode apresentar nenhum sintoma de gripe.
  • As visitas hospitalares devem se restringir àquelas estritamente necessárias.
  • Para aqueles pacientes que precisarem ficar internados, a indicação é também de apenas um acompanhante. É muito importante que este acompanhante permaneça o tempo integral no quarto, para não correr riscos de levar o vírus ao paciente e a ele mesmo.

O transplante de medula óssea (TMO), também chamado por transplante de células-tronco hematopoiéticas, é uma importante opção no combate aos cânceres do sangue, como as leucemias, linfomas, mieloma múltiplo e mielodisplasia. Seu objetivo, na maior parte dos casos, é curativo.

Ele pode ser realizado com as próprias células dos pacientes (autólogo), com doadores 100% compatíveis (alogênico aparentado ou não) ou com doadores 50% compatíveis (haploidênticos, apenas com doadores aparentados, como mãe ou pai).

Mas este procedimento exige cuidados importantes:

  • É preciso que o paciente fique internado no hospital, tanto para o condicionamento (preparação pré-TMO), como também para o procedimento em si e sua total recuperação.
  • Após o transplante, no pós-TMO, especialmente para aqueles que fizeram o alogênico, também é necessário ter uma atenção especial. A imunidade fica muito baixa e o risco para contrair infecções fica altíssimo, além de o paciente apresentar riscos para rejeição da medula recebida, conhecida por DECH.

E por motivos como estes, há necessidade de ficar hospitalizado, com acompanhamento contínuo da equipe médica.

Antes do TMO o paciente deverá:

  • Ser submetido ao teste de PCR para COVID-19 no momento da avaliação e dois dias antes do condicionamento.
  • Se o teste não estiver disponível e o paciente estiver sintomático, deve aguardar no mínimo 14 dias e ausência de sintomas.
  • Se positivo e sintomático, fazer testes de imagem.
  • Evitar lavado bronco-alveolar, a não ser que haja suspeita de co-infecções.
  • Se o paciente estiver assintomático, mas positivo para a COVID-19, o transplante deve ser postergado até dois testes darem negativo ou por, no mínimo, 14 dias.
  • Se o paciente teve contato próximo com alguém infectado, será necessário aguardar entre 14 e 21 dias para a realização do transplante. Também será monitorado de perto, além de realizar dois testes para a COVID-19, com uma semana de intervalo.
  • Também é importante avaliar o estoque de componentes de sangue e se há vaga na terapia intensiva.

Se você está cadastrado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), ou já foi chamado para a doação, é possível que tenha dúvidas com relação ao procedimento durante a pandemia do coronavírus.

Não existe evidência de transmissão por sangue. Ou seja, a doação da medula óssea não está proíbida neste momento. Mas alguns cuidados devem ser seguidos:

  • Doador que seja positivo para a COVID-19 poderá doar o sangue da medula óssea somente após 28 dias, se não tiver mais sintomas e os resultados para a infecção estiverem negativos.
  • Doador que teve contato com pacientes positivos para a COVID-19 também deverá aguardar por 28 dias e resultados negativos para a infecção.
  • Doador que não for aparentado (da família) deverá ter o sangue da medula óssea congelado e sempre disponível no local, antes de começar o condicionamento. Se os médicos responsáveis tiverem dúvidas quanto à presença da infecção no doador, não iniciar o procedimento antes de 14 dias. Avaliar se não haverá sintomas e realizar o teste PCR.

Infelizmente, ninguém está livre de contrair a infecção causada pelo coronavírus. É fundamental seguir todos os cuidados de prevenção, ainda mais se você é parte do grupo de risco. Mas, se ainda assim, você passou a apresentar os sintomas da COVID-19, recomenda-se que:

  • Seja realizado o teste do PCR para a confirmação da infecção e, durante este processo, o paciente precisa ser isolado em quartos de pressão negativa.
  • No hospital, é muito importante que este paciente não seja levado para as alas de Hematologia e TMO.
  • Caso o resultado dê positivo para a COVID-19, iniciar o protocolo de tratamento para os sintomas. No momento, estão sendo utilizados medicamentos como hidroxicloroquina/azitromicina, plasma de convalescentes, imunoglobulina endovenosa, tocilizumab com antimicrobianos de amplo espectro.

Desde que surgiram os primeiros casos de coronavírus, a Organização Mundial da saúde (OMS) e o Ministério da Saúde vêm divulgando uma série de diretrizes a serem adotadas no combate à COVID-19, tanto para a população, quanto ao ambiente de trabalho.

Em 6 de fevereiro de 2020, foi publicada a lei federal nº 13.979, com medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública, de importância internacional, decorrente do coronavírus, dentre elas, o isolamento social e a quarentena.

Considera-se isolamento a separação de pessoas doentes ou contaminadas de maneira a evitar a contaminação ou a propagação do coronavírus, e quarentena a restrição de atividades ou separação de pessoas suspeitas de contaminação das pessoas que não estejam doentes, de maneira a evitar a possível contaminação ou a propagação do coronavírus.

Nesses casos, ou seja, na decretação da quarentena ou isolamento social, a ausência ao trabalho será considerada como falta justificada, não podendo haver desconto no salário ou na remuneração, por força do disposto no § 3º, do artigo 3º, da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que trata das medidas de emergência para enfrentamento do coronavírus, que assim dispõe: “Será considerada falta justificada ao serviço público ou à atividade laboral privada o período de ausência decorrente das medidas previstas neste artigo.”

Quando não há a decretação da quarentena ou isolamento, a fim de se evitar a propagação da doença, os empregadores poderão adotar as seguintes recomendações:

1) Teletrabalho (home office): por todos os colaboradores que possam prestar serviços remotamente, em especial aqueles que compõe o grupo de risco: trabalhadores com idade acima de 60 anos, pessoas portadoras de diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, doenças graves, renais crônicos, doenças respiratórias crônicas e imunodeprimidos.

O teletrabalho tem respaldo no artigo 75-C da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Devem ser observados os limites do contrato de trabalho, que inclui, além das atribuições do empregado, os dias contratados e a jornada de trabalho diária e semanal.

2) Revezamento: o empregador pode optar pelo sistema de revezamento entre os trabalhadores que não possam ser totalmente afastados.

3) Reuniões presenciais: as reuniões presenciais devem ser evitadas, bem como viagens e participação em eventos.

4) Afastamento do trabalho: o empregador deve determinar o afastamento do empregado do ambiente de trabalho se ele apresentar qualquer sinal de resfriado, ou de gripe, tais como espirros, tosse, febre, ainda que com temperatura baixa, ou que tiver contato com pessoas com suspeita de coronavírus, arcando com os respectivos salários.

Se, por recomendação médica ou de agente de vigilância epidemiológica, houver necessidade de afastamento por período maior, o trabalhador poderá ficar em isolamento por até 14 dias, para investigação clínica ou laboratorial, podendo esse prazo ser prorrogado por igual período, havendo risco de transmissão.

5) Férias: poderá ser utilizado do instituto das férias, inclusive das férias coletivas.

6) Licença remunerada: para os trabalhadores impossibilitados de fazer home office, o empregador poderá conceder licença remunerada, ou seja, afastamento com pagamento de salário, por prazo superior a 30 dias, em virtude de paralisação parcial ou total dos serviços da empresa. Neste caso o empregado perderá o direito às férias do respectivo período (CLT, art.133, III).

A Medida Provisória nº 927 de 22 de março de 2020, acrescentou ainda outras possibilidades, além anteriores:

  • Antecipação de férias individuais para o trabalhador que tenha menos de 12 meses no emprego.
  • Aproveitamento e a antecipação de feriados, como os feriados federais, estaduais e municipais.
  • Banco de horas: compensação das ausências no banco de horas estabelecido por acordo individual ou coletivo, com prazo de 18 meses a contar da data do encerramento do estado de calamidade pública.

Portanto, o trabalhador, paciente em tratamento ou em remissão, que for convocado para trabalhar durante a epidemia de coronavirus no Brasil, poderá, a critério médico, se afastar, mediante atestado/relatório médico que comprove estar no grupo de risco mais suscetível à doença.

Caso não seja possível, o trabalhador poderá conversar com o empregador para se adotar uma das alternativas acima descritas.

*Texto escrito por Renata Delcelo Von Eye, advogada da Abrale.

Como você está se cuidando durante o isolamento social? Tem conseguido organizar os seus pensamentos? Compreender o que sente e porque se sente assim?

Por meio deste texto, vamos abordar as principais reações emocionais que você pode apresentar durante este periodo tão delicado que todos nós estamos passando juntos. Distantes fisicamente, mas sempre juntos!

De repente, ligamos a televisão e os noticiários não param de informar sobre as situações no Brasil e no mundo, em relação à propagação do Coronavírus. Diariamente eles dão dicas de como se cuidar, o que evitar fazer, comércios fechando, vídeos de especialistas, questões políticas, entre outros.

E com certeza passou pela sua cabeça: e agora, como fico nesse momento?

Pacientes oncológicos precisam de cuidados específicos durante seu tratamento, principalmente no que se refere à queda da imunidade do corpo. Além dos cuidados com a alimentação, manter dentro do possível atividades físicas, ter momentos de lazer e cuidar do lado espiritual e de suas emoções também é fundamental.

Quando o paciente recebe a informação sobre o diagnóstico de câncer, ele é “convidado” a transformar toda a sua vida, e passa a ter uma rotina diferente tanto no âmbito pessoal, com seus amigos e familiares, quanto na sua vida profissional, em seu trabalho.

A informação sobre o coronavirus chegou muito rápido em nossas casas, e tem invadido nossas vidas pelos diversos canais de comunicação, como a televisão, computador, celular, rádio, entre outros. E todos nós precisamos reorganizar, de forma rápida e prática, as atividades do nosso dia-a-dia.

Todos esses assuntos surgiram em menos de 1 mês e provavelmente a primeira sensação que tivemos foi o medo. Essa emoção faz parte da reação natural do ser humano, como forma de se proteger de algo, quando sentimos ser uma ameaça.

Junto com o medo, pode vir também a sensação do “aperto no peito”, ansiedade e incertezas diante do futuro que não sabemos ao certo como será. Em alguns momentos você pode sentir-se sozinho e triste também, afinal, você está em tratamento e sabemos o quanto é importante ter atenção à sua saúde!

Procure tirar suas dúvidas com o(a) médico(a) que acompanha seu caso e ele(a) poderá lhe auxiliar! Os centros de tratamento estão utilizando métodos de comunicação à distância e isso pode ajudar, e muito, nesta comunicação.

Mas saiba que todas essas sensações fazem parte do momento atual em que vivemos.  Tais sentimentos, inclusive, podem alternar. Ou seja, ora você se sente triste e com medo, ora irritado e entediado, pois precisa permanecer em casa, protegido.

As oscilações de humor são compreensíveis diante do cenário atual. Porém, é importante que você cuide das suas emoções, pois em tempos difíceis, nossos sentimentos podem ficar mais intensos e nos causar sofrimento.

Veja algumas dicas que preparamos especialmente para você:

– Escolha um meio de comunicação, de repente um jornal em específico, para saber sobre o coronavirus. Mas ainda que se informar seja muito importante, procure intercalar com filmes e séries, por exemplo, para distrair um pouco sua mente.

– Se concentre no que pode fazer HOJE, e organize suas atividades dentro de casa (tarefas domésticas, compras, trabalho à distância).

– Reserve um momento do dia para CUIDAR DE VOCÊ. Então, faça aquela comidinha que tanto gosta, leia um bom livro, aproveite para meditar, escutar e dançar aquela música predileta, fazer artesanato…

– Conecte-se com o que lhe faz BEM. Fé e espiritualidade também podem ser trabalhadas durante este momento.

– Entre em contato com seus amigos e familiares por meio de chamadas de vídeo ou mesmo telefonemas. Precisar ficar isolado não significa ter que ficar sozinho.

– Procure ajuda profissional, de um(a) psicólogo(a).

A Abrale oferece os atendimentos psicológicos online gratuitos para pacientes e seus familiares também. Ele é semelhante ao presencial, porém, é realizado por meio da chamada de vídeo ou de voz. O sigilo e o cuidado permanecem com todos os assuntos que vocês compartilham durante o atendimento.

O objetivo principal do acompanhamento psicológico é oferecer um espaço de escuta, de acolhimento e, para juntos, pensarmos em novas maneiras de enfrentar esta e outras situações.

Vocês não estão sozinho! Entre em contato pelo [email protected] ou (11) 3149-5190 e agende seu atendimento.

*Texto escrito por Agnes Sawo, psicóloga da Abrale

Ter uma boa imunidade  pode, sim, ajudar no combate aos vírus. E uma boa alimentação é fundamental para isso, em especial quando se está em tratamento oncológico. Vejas as informações completas neste livro de receitas, escrito por profissionais do hospital A.C.Camargo Cancer Center.

Livro de Receitas – A.C.Camargo Cancer Center

Livro de Receitas

Sim!! Na verdade, não só pode, como deve! Veja a entrevista completa que fizemos com a Dra. Marcia Garnica Maiolino, professora na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e infectologista da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Complexo Hospitalar de Niterói:

Abrale – As vacinas Coronavac, Oxford-Astrazeneca e Pfizer já estão sendo usadas aqui no Brasil, após comprovação de eficácia e segurança. Os pacientes com cânceres do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, podem ser vacinados?

Dra. Marcia Garnica Maiolino – Sim, devem ser vacinados. Está previsto dentro dessas fases de vacinação prioritárias que os grupos de pacientes com comorbidades, como o câncer, sejam chamados. Esses pacientes precisam ser vacinados, porque alguns dados mostram que quando eles contraem a COVID-19, têm uma chance maior de desenvolver casos graves. As duas vacinas que temos aprovadas no Brasil, assim como outras também aprovadas fora do país, são seguras para essa população de imunossuprimidos. Então, não há contraindicação com relação a isso. O que ainda não temos certeza é se a eficácia vai ser igual, quando comparada à população no geral. Mas, reforçando, não há nenhum impedimento.

Abrale – Pacientes que estejam em tratamento com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, dentre outros, podem ser vacinados normalmente? Ou é importante estar com a imunidade alta?

Dra. Marcia Garnica Maiolino – Os tratamentos são muito diversos, tanto de quimioterapia, quanto de imunoterapia. Alguns são em ciclos, e alguns são contínuos. A nossa recomendação é que pacientes em tratamentos contínuos devam ser vacinados. Já aqueles que estão em tratamento que tem intervalo, ou seja, por ciclos, o oncologista ou o hematologista pode tentar ajustar a vacinação para um momento em que o paciente estiver com a imunidade um pouco mais alta, fora dos momentos mais críticos de toxicidade da quimioterapia. Porém, reforço que não existe contraindicação em relação à falta de segurança dessas vacinas. Então esses pacientes podem ser vacinados durante o seu tratamento, seja ele quimioterápico, radioterápico ou de imunoterapia.

Abrale – No caso de pacientes que estejam com a doença controlada, como aqueles com leucemias crônicas ou até mesmo em remissão, há alguma contraindicação?

Dra. Marcia Garnica Maiolino – Também não há nenhuma contraindicação e esses pacientes devem ser vacinados assim que abrir a vacinação para este grupo de pessoas com comorbidades. Agora, caso esse paciente tenha uma idade avançada e faça parte dos grupos prioritários por idade, já pode ser vacinado na primeira oportunidade. As medicações de uso contínuo e prolongado, para os casos destes tipos de leucemias crônicas, não são contraindicação para a vacina da COVID-19.

Abrale – É possível que o paciente, após receber a vacina, desenvolva a COVID-19, mesmo que na forma branda?

Dra. Marcia Garnica Maiolino  – Aqui temos algumas situações. Quando a pessoa recebe a vacina, para que desenvolva a resposta imune, ela vai necessitar de pelo menos 15 dias ou 21 dias. Ou seja, no mínimo de 3 a 4 semanas para que tenha uma resposta do organismo. Então, dentro deste período, a vacina não consegue evitar que a pessoa adoeça de COVID, se ela for exposta ao vírus. Já as vacinas com duas doses, como estas que estão sendo aplicadas no Brasil, sabemos que a eficácia máxima só será atingida após a segunda dose. Por isso, será necessário manter os cuidados de prevenção entre as vacinas. Um outro tópico importante, que não está relacionado com a eficácia e sim com o que esta vacina está prevenindo, é que as vacinas em uso no Brasil contra a COVID-19 previnem, principalmente, quadros moderados a graves. Isso quer dizer que as pessoas vacinadas podem, sim, desenvolver a COVID-19, caso em contato com o vírus. Mas será uma doença provavelmente leve.

Abrale – A questão da idade, se o paciente onco-hemato é uma criança, adulto ou idoso, terá influência na questão de indicar ou não que a pessoa tome a vacina?

Dra. Marcia Garnica Maiolino – As vacinas aprovadas no Brasil são indicadas para pessoas maiores de 18 anos, mesmo que haja alguma comorbidade, como o câncer. A vacina da Pfizer pode ser aplicada a partir dos 16 anos. Adultos e idosos podem receber a vacina, normalmente.

Abrale – Recentemente, os pacientes em programas de transplante de medula óssea (TMO) foram incluídos no grupo de prioritários para a vacinação. O imunizante deve ser aplicado no pré-TMO ou no pós-TMO? Há algum risco para o paciente?

Dra. Marcia Garnica Maiolino – Sim, estes pacientes entraram no programa de vacinação, junto com os transplantados de órgãos sólidos. O que recomendamos, não só para a vacina de COVID-19, mas para qualquer outra vacina de vírus inativado, é que a vacinação pré-TMO ocorra até 15 dias antes do procedimento. Somente dessa maneira será seguro. Agora, depois do TMO, o que tem sido recomendado é a vacinação 3 meses após o transplante. Essa recomendação não é por uma questão de risco, e sim por uma questão de eficácia da vacina. Porque o transplante de medula óssea zera toda a imunidade e, se vacinarmos um paciente imediatamente após o TMO, a vacina terá sido jogada fora. Ela não vai causar a resposta imune que ele precisa, então por isso esse intervalo.

GRIPE

Atualmente, a população brasileira está sendo imunizada com a vacina da gripe e da COVID-19. É importante que todos, em especial os pacientes oncológicos, se protejam contra as duas doenças. Entretanto, é preciso ficar atento à data de aplicação de cada uma para evitar tomá-las em um período muito próximo.

É comum haver imunização com várias vacinas diferentes em um mesmo momento. Entretanto, como a vacina para a COVID-19 é recente, ainda não há estudos que comprovem que ela possa ser aplicada juntamente com a vacina da gripe.

Diante desse cenário, e com o objetivo de garantir o melhor resultado possível, o Ministério da Saúde definiu que deve ser esperado um intervalo de 14 dias entre a aplicação das duas vacinas.

Onde tomar a vacina da gripe?

No sistema público, de acordo com o Ministério da Saúde, 41 mil postos de saúde por todo o país estão abertos para a vacinação contra a gripe. Mas lembre-se de evitar aglomerações e sempre ficar a mais de 1 metro de distância em possíveis filas. No sistema privado de saúde, o paciente já pode tomar a vacina contra a gripe a qualquer momento. Mas é importante marcar com antecedência, para evitar locais lotados.

 

Pneumonia

Vacina contra a pneumonia – Quem deve tomar!

A pneumonia é uma doença temida por todos. Mas em alguns grupos de risco, como os pacientes em tratamento do câncer, ela pode ser considerada ainda mais perigosa.

Causada por infecções que se instalam nos pulmões, ela acontece no espaço alveolar (onde ocorre a troca gasosa do ar), quando há penetração de um agente infeccioso como bactérias, vírus, fungos e até mesmo por reações alérgicas.

Dentre seus principais sintomas estão: febre alta, tosse, dor no tórax, falta de ar, secreção de muco purulento de cor amarelada ou esverdeada e prostração.

Alguns fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da pneumonia:

  • Cigarro, por conta da reação inflamatória
  • Álcool, porque interfere no sistema imunológico
  • Ar-condicionado, por deixar o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e basctérias
  • Gripes mal cuidadas
  • Estar imunossuprimido

Previna-se contra a pneumonia!

A pneumonia tem tratamento e o uso de antibióticos será necessário para eliminar a infecção dos pulmões. Porém o caminho mais assertivo é a vacinação!

Em tempos de coronavírus, são diferentes os motivos para que o paciente oncológico tome a vacina:

  1. Infecções virais, como a COVID-19, comprometem o sistema imunológico e aumentam o risco de infecções e contaminação bacteriana.
  2. A exposição hospitalar deve ser evitada neste momento e, caso um paciente desenvolva uma pneumonia, a visita ao médico será fundamental.
  3. Em casos mais graves, é possível que o paciente com pneumonia precise ser internado e usar respiradores mecânicos. Mas tais serviços também são essenciais aos casos severos da COVID-19 e percisamos racionalizar o uso dos aparelhos, para que não faltem a ninguém!

São duas as vacinas existentes para a prevenção da pneumonia:

Pneumocócica conjugada 13 valente (VPC13) – Protege contra infecções invasivas causadas por 13 subtipos da bactérias pneumococo, que podem causar não só a pneumonia, como também meningite, otite, dentre outras doenças.

Pneumocócica Polissacarídica 23-valente (VPP23) – Protege contra infecções causadas por 23 subtipos da bactéria pneumococo, que causam pneumonia, meningite e otite.

Pacientes com câncer podem tomar a vacina?

Pacientes com cânceres hematológicos, como leucemias e mieloma múltiplo, estão na lista daqueles que podem, e devem, tomar as vacinas contra a pneumonia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm)a, inclusive, eles fazem parte do grupo que têm maior probabilidade de desenvolver a doença infecciosa.

Com base em evidências de que a VPC13 proporciona níveis de anticorpos melhores e possível maior longa persistência em pessoas com doenças crônicas, como o câncer, e considerando a sugestão de que o uso da vacina conjugada permite uma resposta de reforço maior para grupos de riscos, a SBIm recomenda, para qualquer idade, o uso sequencial de VPC13 e VPP23, com intervalo de 2 meses entre elas.

A vacina será indicada para pacientes que darão início ao tratamento com quimioterapia e radioterapia e também para aqueles que fizeram um transplante de medula óssea.

Onde receber a vacina

No sistema público de saúde, as duas vacinas estão disponíveis nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie). Veja a lista completa em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/centro_referencia_imunobiologicos_especiais.pdf

Porém, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas alguns grupos de pessoas podem ser beneficiados. Veja abaixo.

Pneumocócica conjugada 13 valente:

  • Pacientes oncológicos
  • Transplantados de células-tronco hematopoiéticas (TMO)
  • Portadores do HIV
  • Transplantados de órgãos sólidos

Pneumocócica polissacarídica 23 valente (maiores de dois anos):

  • Pacientes com imunodeficiência por causa de câncer
  • Transplantados de medula óssea ou órgãos sólidos
  • Portador de HIV
  • Asplênia anatômica ou funcional e doenças relacionadas (não funcionamento do baço)
  • Pneumopatias crônicas, exceto asma
  • Asma grave em uso de corticoide em dose imunossupressora
  • Cardiopatias crônicas (problemas no coração)
  • Nefropatias crônicas/hemodiálise/síndrome nefrótica (problemas nos rins)
  • Diabetes mellitus
  • Fístula liquórica (defeito no osso que separa o nariz do cérebro)
  • Fibrose cística (produção de muco nos pulmões e no pâncreas)
  • Doenças neurológicas crônicas incapacitantes
  • Implante de cóclea (casos de surdez)
  • Trissomias (como a síndrome de Down)
  • Imunodeficiências congênitas
  • Doenças de depósito (defeito na função dos lisossomos, por exemplo)

Também é oferecida:

  • À população indígena
  • A pessoas com mais de 60 anos que vivam acamadas ou em instituições fechadas;
  • E a bebês menores de 1 ano de idade, nascidos com menos de 35 semanas de gestaçãoe submetidos à assistência respiratória (CPAP ou ventilação mecânica).

Já nas clínicas particulares, a vacina está disponível para toda população.

Muitas vezes, o paciente com câncer precisa sair de sua cidade ou estado para realizar o tratamento. E as casas de apoio são essenciais neste momento, pois oferecem moradia e acolhimento, inclusive aos familiares.

Sabendo da importância deste serviço para a vida de tantas pessoas, a Abrale estabeleceu-se como uma ponte entre as empresas dispostas a contribuir e estas instituições, intermediando e facilitando as doações de itens essenciais como máscaras, álcool em gel e produtos de limpeza.

E você também pode ajudar! Veja a lista completa aqui.

Algumas entregas já realizadas

Back To Top